Os brincos em forma de vulva fazem parte de uma investigação sobre o corpo como território de significado, memória e posicionamento.
Diferente das peças únicas, que operam no campo mais escultórico, os brincos se inserem no cotidiano — habitam o corpo em movimento, atravessam a rua, o encontro, o olhar do outro.
Ao serem usados, deixam de ser apenas forma e se tornam gesto.
O brinco, como acessório, carrega uma potência silenciosa: ele enquadra o rosto, chama atenção, sustenta presença. Aqui, essa presença se afirma através de um símbolo historicamente ocultado, mas profundamente central.
Vestir uma vulva é deslocá-la.
É torná-la visível, pública, ativa.
Mais do que ornamento, estes brincos funcionam como objetos de afirmação — pequenas declarações que acompanham o corpo e ampliam sua voz no mundo.