| 1 x de R$485,00 sem juros | Total R$485,00 | |
| 2 x de R$267,02 | Total R$534,03 | |
| 3 x de R$180,60 | Total R$541,79 | |
| 4 x de R$136,82 | Total R$547,27 | |
| 5 x de R$110,51 | Total R$552,56 | |
| 6 x de R$92,57 | Total R$555,42 | |
| 7 x de R$79,50 | Total R$556,49 | |
| 8 x de R$70,22 | Total R$561,73 | |
| 9 x de R$62,80 | Total R$565,22 | |
| 10 x de R$56,73 | Total R$567,26 | |
| 11 x de R$52,03 | Total R$572,35 | |
| 12 x de R$47,85 | Total R$574,19 |
Obras: Latência · Atravessamento · Permanência
Materiais: Base de madeira pinho, argila de secagem ao ar livre (branca) e tinta acrílica
Limiares do Desejo investiga o desejo como força que tensiona o corpo — não como excesso a ser descarregado, nem como ausência a ser tolerada, mas como algo que pressiona, exige resposta e deixa marcas.
As três obras se organizam como estados de um mesmo corpo diante dessa força. Contam uma história pessoal e atravessam um percurso sensível onde perceber, enfrentar e sustentar tornam-se gestos corporais.
Em Latência, o amarelo surge contido, quase esvaziado. A forma central permanece aberta, mas enfraquecida. O desejo ainda não age — ele insiste em silêncio. Há algo que pulsa baixo demais, por tempo demais. Um corpo que começa a perceber que conter indefinidamente também consome energia. Aqui, o limite não é imposto: ele é sentido.
Atravessamento desloca o corpo para o vermelho. Aqui não há aviso nem contenção possível. A forma se adensa, a cor pesa, o campo vibra. O desejo deixa de ser sinal e passa a ocupar o corpo inteiro. Não como impulso cego, mas como força que exige resposta. Há atrito, há calor, há risco. O corpo se coloca em jogo — não para se perder, mas para não continuar dividido. O vermelho não pede passagem: ele atravessa. Sustentar essa intensidade é o gesto central da obra.
Em Permanência, o azul desacelera o ritmo. Depois do atrito, o corpo encontra um campo onde o desejo pode existir sem urgência. A forma permanece aberta, agora sustentada. Não se trata de apaziguamento, mas de convivência. O desejo não desaparece — ele se estabiliza como presença possível.
A série se mantém nesse território instável entre descoberta e passagem. Um corpo que reconhece seus próprios limiares e aprende a atravessá-los sem se perder. Não há promessa de equilíbrio, apenas a construção consciente de um espaço onde o desejo não invade — ele permanece quando há lugar.
O erotismo, aqui, não aparece como descarga ou moralidade, mas como experiência de limite.
