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2024
Material: Argila de secagem ao ar livre ( branca), tinta acrílica.
Técnica: Escultura
Esta obra parte do sangue menstrual como matéria simbólica — aquilo que historicamente foi tratado como excesso, impureza ou ameaça. Aqui, o que foi empurrado para fora do campo do visível retorna como forma central.
O corpo feminino não aparece como representação, mas como presença insistente. Não há tentativa de purificação, nem de choque gratuito. O gesto é direto: deslocar o que foi marcado como abjeto para o lugar de decisão. O que escorre, o que mancha, o que sangra, deixa de ser sinal de fragilidade para afirmar potência.
Ao lidar com um material e uma imagem cercados por tabu, a obra recusa tanto a ocultação quanto a espetacularização. O sangue não é trauma nem fetiche — é linguagem. Ele marca o corpo como território vivo, cíclico e indomável às tentativas de controle simbólico.
Corpo Abjeto não busca conciliação. Ele sustenta o desconforto. Ao fazer isso, rompe com a lógica que associa o corpo feminino à vergonha ou à passividade e o reinscreve como campo autônomo, irredutível e presente.
